Pequenas notas

Confessa-te meu e ter-me-ás eternamente.

(In)consciência

Diz-me a consciência que, inconscientemente, fujo quando te aproximas, sinto-me estremecer quando me tocas, quando te colas a mim, provocando os meus sentidos. Ofereces-me segurança quando me envolves nos teus braços, quando me dominas e seguras contra ti com a vontade de quem realmente me quer. E eu, "contrariada", deixo-me dominar e faço-me tua, ainda que falhes na reciprocidade do sentir.
Não consigo nem quero abster-me de procurar os teus lábios, de te sentir envolvido, presente. Sinto-nos pele com pele e arrisco forçar os meus dedos a entrelaçar-se nos teus, insegura da tua reacção. Permito-me sorrir quando te vejo corresponder e deixo-me ser mais um pedaço tua, como se pedaços ainda houvesse para dar. Assim me tens, completa, enquanto te recebo como meu. Talvez, um dia, realmente o sejas.

Palavras dos outros

... porque há textos que nos roubam as palavras e nos descrevem por completo, este é um deles  ...

nonsense.
[tive medo ao início. ainda tenho medo todos os dias mas agora tento não pensar nisso; de alguma forma, tranquiliza-me saber que tentei escapar a tempo e que me deixei apanhar quando percebi que nunca quis realmente fugir. e tranquiliza-me saber que fomos os dois apanhados pela mesma rede, e que o destino é-nos agora tão incerto quanto o seria se eu tivesse tido oportunidade de sair de cena antes de entender isso mesmo; se não dá para controlar longe de ti, mais vale ir ficando contigo. vamos andando que a estrada é longa. talvez acabemos por nos perder um dia destes; ou porque esgotamos os temas de conversa ou porque não somos o suficiente para nos saciarmos um ao outro e precisamos de muito mais do que aquilo que nos podemos oferecer. é esta a inevitabilidade da nossa condição, não temos muito por onde fugir mas sempre a podemos ir fintando juntos enquanto não se faz tarde e nos fazem sentido as respirações ofegantes e as palavras entrecortadas que são pouco mais do que o quase nada que somos e que podemos vir a ser. apetece-me roubar-te para sempre, mas não posso; sei que até essa vontade é passageira e que o para sempre tem um limite que talvez já nem esteja muito longe, sei que nos vamos fartar, que vamos precisar de mudar de poiso, mas agora estou bem aqui. apetece-me dizer-te, perdão, apetece-me prometer-te, ou talvez jurar-te a pés juntos, que serás a sorte daquela que te tiver, pedir-te que não te percas porque és demasiado bom, demasiado raro e demasiado impossível, para não ser de ninguém. e, quando os nossos caminhos se separarem, vai ser isto que vou guardar de ti; uma coleção infindável de coisas menores que me foste ensinando ao longo do tempo e uma certa inveja da mulher que tenha a oportunidade de envelhecer ao lado de alguém como tu. de qualquer forma, não quero que a encontres tão cedo, só para poderes ser um bocadinho meu durante mais cinco minutos - e quando o nosso tempo se esgotar e não me restar outra alternativa senão fechar-te a porta, prometo deixar-te uma chave debaixo do tapete.]

Dúvidas que hoje me atormentam

Qual a forma menos dolorosa de partir um coração? (se é que ela existe...)

Leva-me contigo

Talvez me recorde demasiadas vezes do início. Dos sonhos que criamos na nossa mente, da vida que planeamos em conjunto, das promessas que ficaram por cumprir. Ainda continuas no centro dos meus sonhos e custa-me ver que não faço parte dos teus, que por vezes nem sequer te lembras de que eu estou aqui, na tua vida... Disseste que me querias ao teu lado, que me querias a acompanhar-te e agora os momentos de que falámos vão surgindo e nem sequer consideras a minha presença contigo, neles. Faço parte de ti não fazendo. Não sei onde me encaixo em ti, no teu mundo, não me sinto parte dele; é como se o "nós" existisse numa dimensão paralela que não permite interacções com o real. Às vezes cria-se a ilusão de que as paredes se derrubam, levas daqui pedaços meus e acabas por mostrá-los, mas logo percebo que os pequenos passos que vou dando parecem não me levar a lado nenhum, pareço não sair do mesmo lugar. Há muito que me perdi no caminho, já fugi e já voltei por não saber ficar longe, deixei de ter força para tomar decisões, no que a ti respeita, deixei de confiar em mim, agora cabe-te a ti agarrar-me ou deixar-me ir.

Palavras dos outros

Das melhores frases que já li. Nada a acrescentar...

"E sim, se Deus existe - seja o Deus que for - tem sentido de humor. A prova disso? Nós. A sua criação. Somos todos ridículos, e todos o sabemos bem, por muito que alguns de nós o tentemos esconder. Deus é dos maiores autores de sitcom de sempre."

Nuno Markl (a propósito do atentado ao jornal parisiense "Charlie Hebdo")

Se eu não estivesse aqui

Demasiadas vezes penso que o melhor seria deixar-te ir, libertar-te, deixar-te percorrer o teu caminho completamente longe de mim. Seria fácil, demasiado fácil, afastar-me (uma facilidade ilusória claro, fácil porque a distância que nos separa tornaria impossível encontros casuais, difícil porque me dói demais imaginar-te fora da minha vida, fora de mim).
Estarias melhor se não me tivesse precipitado para dentro da tua vida? Serias mais feliz se não nos tivéssemos conhecido? Onde estarias agora? Provavelmente terias outra pessoa, disseste-me um dia que te apaixonavas facilmente, por isso suponho que a amarias como nunca foste (ou serás) capaz de me amar. Seria mais fácil esqueceres os problemas porque ela te daria esperança, força, porque mesmo tudo o resto desabando, a tua felicidade (ela) estaria sempre lá, a apoiar-te, à tua espera... Não imaginas o quanto é frustrante não ser ela, o quanto é frustrante não conseguir pegar na porcaria dos problemas e fazê-los desaparecer, o quanto é frustrante não poder, simplesmente, estar aí. Sabes que te daria tudo se pudesse, mas já não tenho nada para dar, nada que queiras e novamente me pergunto, serias mais feliz sem mim?

Das palavras não escritas

Já não sei escrever sobre outra que não eu. Por mais palavras desprovidas de significado que tente juntar num texto aleatório e alheado de mim, não o consigo fazer sem que um sentimento me escape para o papel, sem que um pedaço de mim fique transcrito. É esta, provavelmente, a razão pela qual me tenho impedido de escrever, não por falta de vontade ou inspiração, mas por medo do que a junção das letras me possa mostrar, talvez por medo de descobrir sentimentos que não posso suportar, talvez por não me querer ver tão transparente como sei que posso ser. Escrever faz-me pensar e eu tenho medo de mim própria quando penso...

Ano novo, vida nova

Na realidade, o ano é novo mas a vida continua o seu ciclo normal como se o ano não tivesse mudado. E assim quero que seja... Não fiz resoluções de final de ano. Em jeito de desejo, pouco depois da meia noite, quando quis que o tempo parasse, pedi o mesmo que peço quase todos os dias. Pedi sorte para alguém especial e pedi que o pudesse acompanhar durante o máximo de tempo possível.
2014 teve o final quase perfeito, ao contrário do seu inicio, curiosamente com os mesmos protagonistas e em localizações próximas, mas com os acontecimentos a desenrolar-se de uma forma muito diferente.
Despeço-me de 2014 com saudades e a desejar que 2015 seja apenas a continuação do que acabou por se revelar um óptimo ano.
Feliz 2015 para todos :)