Destinos

Há vidas destinadas a cruzar-se. Assim ela acreditava quando decidiu desacreditar nas coincidências da vida. Sentiu os olhos humedecer à medida que se desapegava de um presente que, na realidade, há muito era passado. Forçou-se a ver que o que a vida lhe colocara no caminho não teria o papel desejado, seria apenas um meio para algo ainda desconhecido e, por mais que a vontade o não desejasse, por mais dor que lhe causasse, dizia-lhe a intuição, desde cedo apurada, que estava na hora de largar o que insistia em segurar com tanto afinco.
Absorveu-a o silêncio ensurdecedor de fim de tarde, quando já as ruas se viam desertas. Esperava impaciente uma resposta do universo, uma vírgula que substituísse o ponto final que tinha colocado. Sentiu um arrepio quando o sinal lhe chegou em forma de “novo capítulo”, preparado para justificar o passado e transformá-lo em novas memórias. Quis negar-se a entrar no jogo em que a vida a colocava, pode jurar ter visto, numa sequência aparentemente confusa de memórias, o futuro que lhe estava reservado, futuro dependente de um pequeno gesto, de uma resposta. Por entre hesitação e medo, propôs-se enfrentar o perigo que lhe percorria a espinha e, a cada palavra, se mostrou mais e mais disposta a continuar, a descobrir, a dar-se a conhecer…


Esta é a minha história, parte dela talvez (confusos?). Foi o momento que definiu tudo o que sou hoje, uma pequena decisão que me fez escolher um de dois caminhos completamente distintos. Desde então passou mais de um ano e apesar de não estar onde julguei, sinto que estou no lugar certo no momento certo. Não tenho tudo o que quero mas estou feliz com o que tenho... parece-me uma boa forma de fechar 2014.