Piano, pianíssimo

Quando as palavras forem insuficientes para nos permitir dizer o que sentimos, ouvirei os teus pensamentos piano, pianíssimo como se palavras tuas fossem murmuradas ao meu ouvido. Quando tiveres receio de me tocar, fecharei meus olhos e sentirei o suave toque das tuas mãos no meu rosto. Quando me olhares e o tempo perder o sentido, saberei que o mundo parou para me deixar saborear cada segundo a teu lado. Quando a tua ausência for impossível de suportar, chegarás ao início da noite e apoderar-te-ás de mim, como sempre fizeste, como sempre farás. Ainda que inconscientemente, no delírio incontornável dos meus sonhos, pegarás na minha mão, poderei senti-lo, e sussurrar-me-ás doces palavras de consolo. Quando não mais for capaz de respirar, sentirei o cheiro do teu perfume ao meu redor. Quando não mais for capaz de ouvir, sentirei a música das tuas palavras, a melodia do teu amor. Quando não mais for capaz de viver, sentirei a tua presença e saberei que sempre estiveste a olhar por mim, discreto como uma nota que, na imensidão da pauta, é tocada piano, pianíssimo mas, sem ela, a melodia não teria sentido.

*republicação; original de 24/07/2013 às 14h18

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