Quem conta um conto...

Visitavam-na madrugadores os primeiros raios de sol, extravasavam pela pequena frecha da janela que havia, uma vez mais, sido esquecida entreaberta. Os olhos acostumaram-se à claridade, interrompendo o sono e o sonho que mantinha um sorriso no seu rosto. Há muito que vivera dos sonhos, em pesadelos transpostos para a realidade, assomando aos seus dias uma capa de escuridão da qual teimava em não se separar. Cobriu-se, na expectativa de prolongar um pouco mais esta sua abstinência do mundo. Sentiu-se só, alheada da realidade, mas esta solidão não se limitava ao teor psicológico, estendendo o braço apercebeu-se de que estava, de facto, sozinha.

*Se houver paciência desta vez, este é o início de um conto... veremos se terá fim.

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