Da idade

A única coisa que realmente queremos é sentir-nos amados.

Isto hoje tirou-me o sono, pela primeira vez estou a pensar a sério neste assunto, pela primeira vez sinto falta de me sentir amada. Olhando para trás chego à conclusão de que até hoje o que tive foram meras ilusões, pessoas que desistiram de mim ao primeiro obstáculo, pessoas que não foram capazes de me ver como realmente sou, pessoas que se ativeram ao aspecto físico e não perceberam que num rosto de criança está um corpo e alma de mulher.
"Falas como se fosses mais velha", "parece que já viveste tanto", "és tão nova e já sabes tanto", "não tens 35 anos, só se for de maturidade" - ouço estas frases desde os 16 anos, e não, não vivi muito, não sei muito, não cresci assim tanto, apenas me esforço por compreender, por ver, por querer saber mais e a verdade é que consigo. Vou ter sempre os meus momentos de "típica adolescente apaixonada" mesmo já não o sendo, vou ter sempre os meus momentos de "criança", os meus momentos de "miúda que precisa de atenção", mas não é isso que me define. Vão continuar a dizer que tenho 16 anos sempre que for a uma consulta no centro de saúde, vão continuar a ficar impressionados quando disser que já tenho um mestrado, um emprego e que estou a conseguir conquistar o meu lugar no mundo ("mas és tão nova"), se vocês me conhecessem pessoalmente diriam "pela tua escrita pareces mais velha" e acreditem que no último ano a qualidade da escrita tem decaído exponencialmente.
O meu problema vai continuar a ser as pessoas verem uma miúda e esquecerem-se de que existe uma mulher e se é fácil contornar isso? Sim é, é colocar um vestido, saltos altos e caprichar na maquilhagem, simplesmente continuo a insistir para que me vejam como realmente sou e, esporadicamente, torno-me essa mulher e só quem provar que me merece verá a pessoa em que me posso tornar, mas para isso também preciso de segurança, preciso de me sentir amada, preciso de saber que posso cometer pequenos erros sem que a outra pessoa me julgue, sem que desista de mim, porque só se tiver liberdade para tentar me posso tornar mais e melhor.
Às vezes também queria poder ignorar os sentimentos e dar-me sem receios. Se tantas vezes lutei para ser feita de sentimentos fortes, neste momento queria não sentir nada, começar do zero e ir sentindo aos poucos, devagar, porque assim é mais fácil, mais simples, menos doloroso.
Pergunto-me se um dia vou encontrar alguém com quem partilhar a vida, alguém que me ame, alguém que me veja a alma, começo mesmo a duvidar de que isso vá acontecer (sim, pareço uma velha a falar, ninguém diria que tenho 23 anos).

Sem comentários:

Enviar um comentário