De uma amizade perdida

Talvez não lhe devesse ter dito nada, talvez a data devesse ter passado em branco como tantas outras que ele deixou para trás. Talvez não devesse remexer nesta história, provavelmente trata-se de uma história sem final. Não gosto de histórias sem final, não gosto de coisas mal resolvidas, não gosto quando não consigo esclarecer todas as dúvidas que pairam na minha mente... possuo um imenso leque de dúvidas criado pela minha tendência em questionar sempre tudo, em querer compreender o porquê de todos os acontecimentos, de todas as atitudes, de todas as ligações que a vida conjuga.
Não sei apagar pessoas que um dia foram importantes, não sei desligar sentimentos, não consigo não me lembrar, não ter saudades de todos os pequenos grandes momentos que tive. Não sei esquecer, não sei ficar calada, não sei deixar passar datas em branco e acontece sempre o mesmo: fico sem resposta e sinto-me inútil, sem importância, mesmo que lá no fundo saiba que aquela pequena mensagem lhe despoletou tantos sentimentos como os que me assolaram ao enviá-la.
As pessoas são ingratas, só se lembram do que fazem pelos outros mas esquecem-se do que fazemos por elas, esquecem-se de que às vezes também custa estar lá em todos os momentos, custa esquecer os nossos próprios problemas para apoiar alguém... Tornamo-nos um dado adquirido, um porto seguro e só se lembram da nossa importância quando precisam e deixamos de estar lá.

Pergunto-me se ele sente a minha falta, sei que ele não se abre com ninguém, fazia-o comigo, mas conseguiu afastar-me, como a todas as outras pessoas que se importavam com ele. Sei que está sozinho, como sempre esteve, sei que tem amigos, sim, mas ninguém com quem consiga desabafar, sei que lhe faz falta ter alguém com quem conversar, sei também que nunca o vai admitir, não vai procurar e continuará sozinho, como aliás sempre esteve. Sei que sou estúpida por me continuar a importar, por continuar a querer saber dele depois da forma como se afastou de mim, mas não consigo mudar isso, vou continuar a preocupar-me, a importar-me, a procurar notícias dele. Fomos amigos um dia e ainda que ele não o sinta, vai continuar a ser importante para mim, mesmo depois da forma como me magoou, mesmo depois de ter quebrado a promessa que me fez, mesmo depois de se ter revelado um perfeito idiota, sei que mesmo zangada, se ele precisasse de mim, o ia receber de braços abertos, o ia ajudar mesmo que lhe dissesse mil vezes que o odeio. Há poucas pessoas que são mesmo importantes na minha vida, que já me deram tanto e a essas não consigo fazer mal por muito que me magoem. E é até aqui que vai o meu grau de estupidez...

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