Loucura

Chegaste ao início da noite e de mim te apoderaste como sempre fizeste, como sempre farás. Pegaste a minha mão, pude senti-lo, e sussurraste ao meu ouvido doces palavras de consolo. Olhaste-me e o tempo perdeu o sentido. Senti que o tempo parou. Por breves momentos pude jurar que era real, pude jurar que estavas a meu lado como sempre quis que estivesses... num outro momento, pude jurar que estava louca apenas por considerar a tua presença. Escolhi ser louca, porque a loucura que me assolava em muito se sobrepunha à sanidade, preferi ser louca porque a loucura consentia a tua presença, a sanidade não. Por longas horas me aconchegaste, até que, inevitavelmente, te afastaste de mim. "Não, não vás!" Gritei com força, mas a pouco e pouco, a figura que tanto me fazia recordar, lentamente se desvaneceu ante meus olhos. Apertei-os com força numa tentativa vã de voltar àquele sonho que tantas memórias avivava. Tentei de novo adormecer e, momentaneamente, pude voltar a sentir a pele da tua palma contra a minha. De nada valeu. A dura realidade que governava os meus dias teimava em impor-se e acordei, com a promessa de um dia te voltar a tocar, de um dia te voltar a fazer meu.

*republicação; original de 03/10/2013 às 19h48.

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