Espera

Disse-lhe que estava na porta de sua casa. Era 1 de Abril e certamente que ele se aperceberia desse pormenor, no entanto, ela quis testar, "brincar" durante segundos apenas para observar a sua reacção. "- Não estou" foi a resposta que lhe chegou, sem qualquer hesitação aparente. Por momentos pensou em insistir, mas convencê-lo de que era real seria maldade a mais, já ela tinha passado por algo semelhante e, relembrando os sentimentos de outrora, percebeu que não poderia transformar-se em quem a tinha magoado.
Ele retomava agora o caminho de casa, confiante, ainda assim, dentro de si, reconhecia uma pequena réstia de receio, receio de que ela estivesse mesmo à porta de sua casa. Como reagiria ele se ela tivesse mesmo cometido essa pequena/grande loucura? Fugiria dela, cumprimentava-a fugazmente tentando fingir ou, quiçá, esconder desinteresse, ou acolhia-a com saudade? Será sempre um mistério ou talvez um dia se saiba a resposta. Ninguém conhece o que se passa na mente dela, talvez um dia se decida a abraçar a loucura e o espere teimosamente à porta de casa.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

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