Magia?

Há alguns meses que trago um elástico no pulso, um simples e discreto elástico preto que simboliza mais do que deixa transparecer. Ao elástico associei um objectivo, uma vontade, um desejo. Há pouco notei que já não trazia esse elástico comigo, não me recordo de o ter tirado, tenho a certeza de que não o tirei, simplesmente desapareceu.
A última vez que o vi, foi pouco depois de ter atingido o objectivo que ele simbolizava, lembro-me de o ter porque olhei para ele e sorri, por saber que tinha conseguido. (não, não o tirei, tenho certeza, acho que ganhou vida própria e fugiu...).

Loucura

Chegaste ao início da noite e de mim te apoderaste como sempre fizeste, como sempre farás. Pegaste a minha mão, pude senti-lo, e sussurraste ao meu ouvido doces palavras de consolo. Olhaste-me e o tempo perdeu o sentido. Senti que o tempo parou. Por breves momentos pude jurar que era real, pude jurar que estavas a meu lado como sempre quis que estivesses... num outro momento, pude jurar que estava louca apenas por considerar a tua presença. Escolhi ser louca, porque a loucura que me assolava em muito se sobrepunha à sanidade, preferi ser louca porque a loucura consentia a tua presença, a sanidade não. Por longas horas me aconchegaste, até que, inevitavelmente, te afastaste de mim. "Não, não vás!" Gritei com força, mas a pouco e pouco, a figura que tanto me fazia recordar, lentamente se desvaneceu ante meus olhos. Apertei-os com força numa tentativa vã de voltar àquele sonho que tantas memórias avivava. Tentei de novo adormecer e, momentaneamente, pude voltar a sentir a pele da tua palma contra a minha. De nada valeu. A dura realidade que governava os meus dias teimava em impor-se e acordei, com a promessa de um dia te voltar a tocar, de um dia te voltar a fazer meu.

*republicação; original de 03/10/2013 às 19h48.

Fazes-me falta

Há pessoas que nos marcam, pessoas que guardamos na memória pelo carinho que nos deram, pela companhia que nos fizeram, pelos conselhos que se esforçaram por nos dar. Há pessoas que nos fazem falta, pessoas que quase adivinham quando precisamos delas. Há pessoas que nos habituam à sua presença, pessoas que acreditamos serem uma constante nas nossas vidas e quando menos esperamos deixam de o ser pelas mais variadas razões.

Tenho saudades das conversas, dos sorrisos, das gargalhadas, saudades do teu espírito compreensivo, da tua amizade, dos teus conselhos, das tuas palavras de esperança, saudades de ti... Fazes-me falta, prometi nunca o sentir e aqui estou eu, a fraquejar... Aprendi tanto contigo... ninguém sabia o quanto éramos próximas, ser-lhes-ia difícil compreender como nasceu tamanha cumplicidade em tão pouco tempo, queria que tivesse sido mais, queria tanto que tivéssemos tido mais tempo. Ficaram tantas histórias por contar, tantas promessas por cumprir (terás a tua dedicatória, não me esqueço ;) ).
Sempre vi uma certa beleza na morte, na tua nada vi, só injustiça e raiva. Partiste cedo demais, deixaste demasiado para trás, uma vida inteira que ficou assim, inacabada... A tua presença tornou-se algo natural, a tua ausência algo impossível de aceitar. Sempre ouvi dizer "só não existe cura para a morte", neste momento a tua morte é a única coisa que desejava curar.

Desculpa por tudo o que não fiz, por tudo o que não disse, desculpa se em algum momento te desiludi, se alguma vez não fui a amiga que precisavas. Obrigada por acreditares em mim, obrigada por tudo, sabes que nunca me vou esquecer de ti.
Passaram 7 anos e continuas a fazer-me tanta falta...

Explicação

- Mar, abandonaste o blog?

Não, ainda não foi desta que se viram livres de mim. O que se passa é que arranjei emprego, mudei de casa e por entre adaptação, mudanças e falta de internet, não tenho conseguido vir ao blog, mas assim que puder compenso a ausência. Não fujam :p
Até já :)

Sonho

Recordo os momentos que partilhámos como se de um sonho se tratasse, intenso e real mas, ainda assim, um sonho, cada vez mais distante. Gostava de não ter que acordar, de não ter que te ver partir. Pelo menos sei que te voltarei a ter, que voltarás a ser meu, até ao dia em que deixares de o ser, até ao dia em que os sonhos contigo terminarem, então voltarei a sentir o vazio de não saber como alimentar os meus sonhos.

Talvez não termine, talvez não mais tenha que te dizer adeus.

*republicação; original de 22/11/2013 às 00h08
*Desafio: Palavrar a cada dia.

Pensamento

Momentos há em que te quero arrancar de mim, do meu ser.
Seria mais simples, seria fácil encarar-te, falar-te, expor os meus anseios que em nada se deveriam a ti, ouvir os teus problemas... Seria mais simples se não me fosses tanto, seria fácil dizer-te "não", doeria menos se esse "não" se dirigisse a mim. Doeriam menos as tuas palavras, a tua ausência de sentimentos, doeria menos quando um dia te deres a outro alguém.
Não consigo arrancar-te de mim, não consigo afastar-te do meu pensamento, mas talvez um dia me possas ensinar a esquecer-te...

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Dor

Toda a dor psicológica é suportável, ainda que não o pareça. Assim acredito, assim espero.
Só reconheço a dor quando esta se materializa em sintomas físicos, só quando dói fisicamente me comprometo a encontrar a causa, a compreendê-la, a compreender-me. Abandono o estado de negação e sigo para a batalha, sei que vencerei, ainda que o desfecho seja inesperado e é isso que me faz ultrapassar a dor, é isso que me faz continuar, é por saber que a minha luta dará bons frutos que continuo a sorrir, que sou feliz, mesmo quando a vida testa todos os meus limites ao mesmo tempo.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Cidade

Inspiram-me as luzes da cidade à noite. Era capaz de passar horas a percorrer as várias ruas, a descobrir como os vários espaços se moldam à ausência de luz natural, a descobrir como se transformam as pessoas. Ao invés disso, podia passar horas a observar da minha janela a vida lá fora, tentando descortinar sombras, enredos, caminhos.
Sinto, por vezes, a solidão da cidade, uma multidão de pessoas sozinhas, reunidas num mesmo espaço mas absortas no seu próprio mundo. Mesmo sozinha na cidade, não me sinto só, gosto de estar comigo, apenas por vezes se manifesta em mim a vontade de partilhar a cidade com alguém.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Sentimento

É por sentir que sei ser gente.
Cada um dos sentimentos que carrego fazem-me humana, por isso agradeço todos eles, mesmo os que me magoam, os que me arrancam lágrimas, os que me instigam a desistir.
Somos feitos de sentimentos, não conheço maior dor que a de nada sentir.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Azul

Perdi-me hoje no azul de um olhar. Na verdade, não foi só hoje, há algum tempo que me lá perco, perco-me desde o segundo em que descobri aquele olhar. Questiono-me como aqueles pequenos olhos me podem fazer tão feliz quando encontram os meus, quando demonstram a vontade de uma aproximação, quando são perseguidos pelo movimento que pede um abraço. É um olhar inocente, ainda não foi atingido pela crueldade que, por vezes, a vida parece transparecer, um olhar carregado de determinação e teimosia.
Tem pouco mais de um aninho e quando olha para mim sei que me transformo na madrinha mais babada do mundo :)

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Água

Há quem viva à espera daquela última gota que faz transbordar o copo, para poder derramar toda a água que se foi acumulando ao longo de horas, dias, semanas, meses, anos... Há quem viva à espera que outra pessoa cometa aquele "erro imperdoável" para poder, finalmente, verbalizar cada pequena coisa que a magoou ao longo do tempo e dar, assim, por terminado aquilo que parecia ser um relacionamento feliz. São desculpas, somente, nada mais. Acreditem, há pessoas assim, que por uma aparente pequena coisa destroem um amor, uma amizade (estúpidas todas elas, todos nós...).  O que ninguém sabe são os erros que elas foram esquecendo, as palavras que as foram atingindo e que tentaram ser desvalorizadas, ninguém conhece todas as gotas que foram enchendo o copo, apenas da última se fala, apenas a última parece importar, quando raramente a última gota é o verdadeiro motivo para se terminar algo.
É por isto que eu não gosto quando se calam, quando colocam mais uma gota no copo que a mim diz respeito sem nem me dar oportunidade para me justificar, para me desculpar, para melhorar. Não gosto que tentem esquecer os meus erros, desvalorizar, tentar perdoar sem me dizerem "tu erraste", assim nunca vou mudar, nunca vou saber o quanto posso estar a magoar alguém, nunca vou crescer.
Não tentem camuflar as minhas gotas de água, mostrem-mas sem medo, só assim conseguiremos fazê-las evaporar.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Brinde

Contava ter já os papéis assinados em cima da secretária, tangibilizando o atingir de um objectivo há muito ambicionado. Já decorreu algum tempo desde o momento em que preparei as taças, em breve faremos o brinde :)

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Faca

Senti a lâmina deslizar pela pele, abrindo caminho para que o sangue escorresse livre até ao chão. Poderia jurar que o leve formigar se manifestava no meu braço, ainda assim estas memórias não eram minhas, apenas recordações antigas de alguém que não eu.
Não concebo esta auto-flagelação, esta tentativa de substituição da dor psicológica pela física. Não é tudo dor? Será que algum dia pára, será que uma ameniza a outra?
Observo a faca que seguro inocentemente e pergunto-me "porque te torturas?".

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Amor

Não sei falar de amor. Não há palavras suficientes para o descrever, qualquer texto terminará incompleto. Não sei o que é o amor, mas ainda que to negue, sei que a forma como os meus olhos brilham quando penso em ti, quando te ouço falar, denunciam o que me vai no coração. Não sei falar de amor, não sei o que é o amor mas, no que a ti respeita, não encontro melhor palavra para descrever o que me fazes sentir.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Espera

Disse-lhe que estava na porta de sua casa. Era 1 de Abril e certamente que ele se aperceberia desse pormenor, no entanto, ela quis testar, "brincar" durante segundos apenas para observar a sua reacção. "- Não estou" foi a resposta que lhe chegou, sem qualquer hesitação aparente. Por momentos pensou em insistir, mas convencê-lo de que era real seria maldade a mais, já ela tinha passado por algo semelhante e, relembrando os sentimentos de outrora, percebeu que não poderia transformar-se em quem a tinha magoado.
Ele retomava agora o caminho de casa, confiante, ainda assim, dentro de si, reconhecia uma pequena réstia de receio, receio de que ela estivesse mesmo à porta de sua casa. Como reagiria ele se ela tivesse mesmo cometido essa pequena/grande loucura? Fugiria dela, cumprimentava-a fugazmente tentando fingir ou, quiçá, esconder desinteresse, ou acolhia-a com saudade? Será sempre um mistério ou talvez um dia se saiba a resposta. Ninguém conhece o que se passa na mente dela, talvez um dia se decida a abraçar a loucura e o espere teimosamente à porta de casa.

*Desafio: Palavrar a cada dia.

Palavrar a cada dia

"Palavrar a cada dia" é um desafio que encontrei aqui e, como podem perceber pela imagem, consiste em associar um tema a cada dia do mês, sendo que esse tema deve servir de base para um texto. Como gostei bastante da ideia, vou tentar levar o desafio até ao fim e como já estou dois dias atrasada, hoje vou desculpar-me com o cansaço e fazer só o primeiro tema, amanhã faço os dois seguintes e assim "apanho fio à meada".


P.S. Não esperem nada de extraordinário e, claro, vou continuar a seguir a mesma linha do blog (sim, este blog tem uma lógica, vocês é que ainda não a perceberam... pronto, eu digo... apesar de, na maioria das vezes, os textos parecerem dispersos, imaginados, sou eu que apareço retratada neles, eu, as minhas memórias, os meus sentimentos presentes ou passados, os meus sonhos. Tudo o que escrevo tem um significado para mim, está apenas codificado nas entrelinhas, umas vezes mais ocultas, outras menos).

1 de Abril

Há 1 ano atrás, neste dia, fizeram-me uma grande maldade...
Disse-me "comprei o bilhete de comboio para te ir ver".
Ainda hoje estou à espera que venha (é mentira, não estou à espera nem quero que venha, só se trouxer consigo um grande e sincero pedido de desculpas. Da pessoa em questão não espero absolutamente nada e isso é triste...)