(Não) Mudam os tempos...

Recordei recentemente um episódio da minha infância...

Quando frequentava a escola primária era habitual, por altura do Natal ou Páscoa, a escola organizar aqui na terra um espectáculo onde nós alunos cantávamos individualmente, havendo também pequenos teatros e danças em grupo (mesmo quando corria tudo mal era giro porque... bem, são crianças e as crianças são engraçadas).
Num determinado ano a escola decidiu homenagear uma conhecida fadista portuguesa e essa tarefa coube à minha turma, estava então decidido que uma das meninas da turma ia representar a tal fadista interpretando uma das suas músicas; para que foste justo, decidiu-se que cada uma de nós ia cantar a mesma música e no final a turma votava na que tinha cantado melhor. Resultado: ganhei (na altura cantava bem e era fofinha, agora já não :p), mas uma das professoras disse: "ganhaste, mas acho que a «não sei quantas» é mais parecida com a «tal fadista», por isso vai ser ela a cantar". Eu fiquei chateada, claro, envie-lhe o meu melhor olhar de reprovação e sentei-me no meu lugar. Passado uns minutos a professora veio falar comigo, tentando explicar-se e a minha resposta foi "se já estava escolhido, não valia a pena termos perdido tempo com isto".

Porque me lembrei disto? Tudo se deve a uma entrevista de emprego.
"E o que tem essa entrevista que ver com este episódio da tua infância Mar?" - perguntam vocês.
Pois bem, nesta entrevista puseram à prova os meus conhecimentos linguísticos, correu tudo bem, passei essa fase, na entrevista seguinte fui excluída porque não tinha um certificado que comprovasse esses mesmos conhecimentos (ou talvez esta tenha sido apenas a desculpa utilizada, uma vez que a pessoa que me entrevistou até fez questão de dizer que tinham gostado bastante da minha prestação em todas as fases anteriores, ou se calhar foi só para me deixar mais confusa...).
Agora chego exactamente à mesma conclusão: se era necessário um certificado, não valia a pena terem feito testes, não valia a pena terem-me feito perder tempo e dinheiro em viagens para ir a entrevistas, excluíam-me logo e pronto, problema resolvido!!

P.S. Desculpem o testamento, mas realmente chego à conclusão que há coisas que não mudam...

2 comentários:

  1. Crescemos e os problemas mudam de aspecto...mas são realmente os mesmos

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    1. Chego à conclusão de que muitas coisas que vivi em criança se repetem, acho que o maior problema são as pessoas.

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