Tua

Rasgas-me a pele e vês-me a alma. Perdes-te na minha transparência, olhas por dentro de mim e, com mãos firmes, agarras os sentimentos que emano, com a certeza de quem sabe o que quer. Lês o meu corpo, que contradiz as palavras proferidas, e provocas o desejo que a consciência teima em abafar. Sentes-me o toque, tímido, leve, quase imperceptível e retribuis na mesma intensidade, adicionando um crescendo de sensações que me fazem confiar, entregar, deixar-me levar. Controlas o momento, entregas-me a vontade, arrancas o orgulho e soltas o que de melhor há em mim, o que me faz querer-te meu, o que me faz descontrolar em ti. Paramos o tempo, partilhamos lembranças sem que o silêncio seja quebrado, excepto pela respiração acelerada e pelos batimentos cardíacos compassados e em perfeita sincronização. Sentes-me tua e eu sinto-te meu, esquecemos o mundo, unimo-nos num só e inconscientemente prometemos, num simples abraço final, que assim seremos, para sempre, apenas e somente, nossos.

*republicação; original de 04/09/2013 às 18h52

1 comentário:

  1. Bonito e bem escrito. Eu também prefiro prosa poética do que me aventurar em verso.
    :X da D

    acontarvindodoceu@blogspot.pt

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