(Re)Encontro

Finalmente estavas ali. Tão perto de mim, tão real, tão estranhamente fácil de alcançar. Quis correr para ti, quis perder-me nos teus braços, quis esquecer que um dia estivemos separados, mas não o fiz. Esperei que viesses até mim, esperei pelo cumprimento banal usualmente trocado por dois quase desconhecidos quando, por obra do acaso, vêem os seus caminhos cruzados, esperei pelo tímido "olá" que os teus lábios pronunciaram, como se tudo o que vivemos não tivesse passado de um sonho, um simples e perfeito sonho apenas vivido por mim quando quis acreditar que poderia ter resultado, que poderia ter existido um nós.

Quis gritar, quis agarrar-te pelo braço e perguntar se te tinhas esquecido das nossas conversas, da nossa cumplicidade, se te tinhas esquecido de nós, se me tinhas esquecido. Faltaram-me as forças, ou talvez tenha sido o excesso de força que me conteve, faltaram as palavras, faltou a coragem, saiu um "olá", daqueles que se dizem quando não sabemos realmente o que dizer, quando o que queremos dizer é tanto mas tanto que as palavras falham, que a coragem falta, apenas sobram os sentimentos escondidos por detrás de um simples "olá" que tanto em si encerra mas que tão banal e impessoal se manifesta.

Fiquei a olhar-te durante infindáveis minutos, tentando perceber se tinha sobrado alguma réstia de sentimento. Fixei os teus olhos, vazios, impenetráveis, tão diferentes daquilo a que me tinha habituado, tão difíceis de ler, tão distantes. Compreendi que não és o mesmo, não és a pessoa que conheci, não és a pessoa que amei. Não passas de um estranho, um estranho que quero conhecer novamente. Achas que podemos tentar? De novo, apenas tentar, sem hipocrisias, sem falsas promessas, como se as primeiras e únicas palavras trocadas entre nós se resumissem ao simples "olá" de dois quase desconhecidos que se cumprimentam quando, por obra do acaso, vêem os seus caminhos cruzados. Quero saber quem és, quero saber a tua história, como se os protagonistas dessa história não fôssemos tu e eu, quero apaixonar-me novamente por cada detalhe teu, por cada palavra e talvez, só talvez, te apaixones novamente por mim.

*republicação; original de 23/07/2013 às 16h28

2 comentários:

  1. Ah! o amor... e que o ele nos faz passar quando o laço se quebra.
    Gosto da forma como escreves. Muito bom, este texto :)

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    1. O amor é capaz de nos proporcionar os momentos mais felizes e os mais tristes, mas não vivemos sem ele.
      Obrigada :)

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