Medo


O medo, por vezes, impede-nos de avançar, medo de nos magoarmos, de darmos tudo de nós e em troca receber nada, medo de voltar a viver tudo o que de mau o passado trouxe. Escondemos sentimentos, bloqueamos emoções por puro medo, medo de mostrar um lado mais frágil, mais sensível, aquele lado que poucos ou nenhuns conhecem de nós, medo de não sermos valorizados, de nos entregarmos a alguém e de um dia descobrir que não o deveríamos ter feito. Criamos barreiras, impomos limites e recuamos quando alguém as parece ultrapassar, por medo de sofrer, de voltar a experimentar desilusões, por medo de voltarmos a ficar e a sentir-nos sozinhos, abandonados, de nos sentirmos enganados, roubados, perdidos. Fazêmo-lo numa tentativa de nos protegermos porque, mesmo não parecendo, somos frágeis, fracos, quebradiços. Deixamos de querer arriscar e, mesmo quando o fazemos, uma parte de nós constantemente nos relembra de todas as vezes em que ficamos em pedaços, de todas as vezes em que tivemos que nos levantar e fingir sorrisos, de todas as mágoas, marcas e desilusões. Arriscamos sem arriscar, avançamos permanecendo no mesmo lugar, amamos sem amar, magoamos quem não deveríamos magoar e deixamos, talvez, passar a oportunidade de ser felizes.

*republicação; original de 16/11/2013 às 00h03

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