Mensagens que me fazem sorrir

"Eu era mau para ti e tu só me querias ajudar".

Disse-me que estava diferente. Para mim era o mesmo, exactamente a mesma pessoa de há 10 anos atrás. Depois de uns minutos de conversa percebi que sim, ele estava diferente, mas não para mim, percebi que sempre vi através dele, sempre quis ver mais do que ele mostrava, sempre quis percebê-lo, conhecê-lo, e por querer conhecê-lo, sempre soube quem ele era realmente... ele só se descobriu anos depois e anos depois deu-me razão. Depois de todos estes anos pediu-me desculpa.

(Re)Encontro

Finalmente estavas ali. Tão perto de mim, tão real, tão estranhamente fácil de alcançar. Quis correr para ti, quis perder-me nos teus braços, quis esquecer que um dia estivemos separados, mas não o fiz. Esperei que viesses até mim, esperei pelo cumprimento banal usualmente trocado por dois quase desconhecidos quando, por obra do acaso, vêem os seus caminhos cruzados, esperei pelo tímido "olá" que os teus lábios pronunciaram, como se tudo o que vivemos não tivesse passado de um sonho, um simples e perfeito sonho apenas vivido por mim quando quis acreditar que poderia ter resultado, que poderia ter existido um nós.

Quis gritar, quis agarrar-te pelo braço e perguntar se te tinhas esquecido das nossas conversas, da nossa cumplicidade, se te tinhas esquecido de nós, se me tinhas esquecido. Faltaram-me as forças, ou talvez tenha sido o excesso de força que me conteve, faltaram as palavras, faltou a coragem, saiu um "olá", daqueles que se dizem quando não sabemos realmente o que dizer, quando o que queremos dizer é tanto mas tanto que as palavras falham, que a coragem falta, apenas sobram os sentimentos escondidos por detrás de um simples "olá" que tanto em si encerra mas que tão banal e impessoal se manifesta.

Fiquei a olhar-te durante infindáveis minutos, tentando perceber se tinha sobrado alguma réstia de sentimento. Fixei os teus olhos, vazios, impenetráveis, tão diferentes daquilo a que me tinha habituado, tão difíceis de ler, tão distantes. Compreendi que não és o mesmo, não és a pessoa que conheci, não és a pessoa que amei. Não passas de um estranho, um estranho que quero conhecer novamente. Achas que podemos tentar? De novo, apenas tentar, sem hipocrisias, sem falsas promessas, como se as primeiras e únicas palavras trocadas entre nós se resumissem ao simples "olá" de dois quase desconhecidos que se cumprimentam quando, por obra do acaso, vêem os seus caminhos cruzados. Quero saber quem és, quero saber a tua história, como se os protagonistas dessa história não fôssemos tu e eu, quero apaixonar-me novamente por cada detalhe teu, por cada palavra e talvez, só talvez, te apaixones novamente por mim.

*republicação; original de 23/07/2013 às 16h28

Ausente

É para ti que escrevo nesta ausência de mim, na impossibilidade de te dizer o que sinto, o que me fazes sentir. Dóis-me na alma, nos ossos, em cada poro da minha pele. Disseram-me que o que sinto por ti é amor, nunca quis apaixonar-me sabes? A culpa é tua, toda tua, nunca quis que fosse assim, nunca quis que arrancasses estes sentimentos de mim, nunca quis que quebrasses as minhas barreiras, mas tu foste entrando, devagar, tentando passar despercebido, foste descobrindo, derrubando, instalando-te em mim. E agora? Diz-me, fala, perdeste a coragem? Que faço com o tanto que me sobras? Que faço com a vontade de ti que deixaste em mim?

*republicação; original de 10/01/2014 às 18h22

Acredita

Que tudo nos leve a acreditar que o nosso encontro não se deu por acaso, que foi obra de um destino que nos obrigou a cruzar caminhos e nos conduziu um até ao outro. Que todos os caminhos me levem até ti mesmo que a inevitabilidade do afastamento se manifeste mais cedo do que esperamos. Que a minha vida se enrodilhe na tua e cada tentativa de as separar contribua apenas para as unir mais e mais. Que vivas no meu passado, presente e futuro e me deixes entrar no teu mundo. Que tudo me leve a perder e encontrar apenas nos teus braços. Que faças parte de mim e eu de ti. Que tudo nos mostre que fomos feitos um para o outro. E que tudo nos obrigue a seguir lado a lado. Simples, certo, incontornável.

*republicação; original de 11/10/2013 às 19h26

Dias

Vejo-me a caminhar por ruas desertas, sozinha, em busca do que perdi.
Não tenho dificuldade em ir, em caminhar, não encontro obstáculos. Sigo sem rumo, sem direcção, escrevo o meu próprio destino à medida que avanço. Talvez na realidade não avance, talvez dê voltas e voltas e acabe por regressar ao ponto de partida.
Em todas as estradas, em todos os becos, em todas as casas procuro e nada encontro. Sinto a minha vida, o meu futuro estacionados. Crio novos objectivos, novas ambições mas nada muda, não tenho nada que me motive, nada que me mova. Vejo as horas passar, uns dias vagarosas, noutros com uma aceleração aflitiva, mas nada se altera, tenho as mesmas dúvidas, as mesmas angústias, as mesmas frustrações. Em todos os lugares procuro mas, o que procuro?


*republicação; original de 14/01/2014 às 20:06

Desabafo

Hoje faltou pouco, muito pouco, para fazer as malas e ir embora, o que me impede de ir é a consciência, maldita consciência. Estou tão farta disto, de tudo ser culpa minha, de todos descarregarem a raiva em mim, de nada dar certo na minha vida. Hoje passei toda a tarde na loja do cidadão a resolver 2 problemas (por aqui todos os dias aparece um novo problema, já parece rotina) e a tratar de um 3.º assunto, quando cheguei a casa expliquei que um dos problemas estava resolvido e o outro só se saberia daqui a um mês, fez-se silêncio, minutos depois ouço "não trataste daquilo" (uma 4.ª coisa que não tive tempo de ver porque só cheguei a casa há minutos), expliquei que não tinha tido tempo e que amanhã tratava, logo se transformou numa discussão com acusações do género "não te preocupas com nada", "não resolves nada", "não fazes nada", nada, nada, nada, quando sou sempre eu que tenho que encontrar soluções para tudo. Há dias calmos, sim, dias em que não faço nada (procurar emprego conta?), outros há em que tenho que me desdobrar em 20 para resolver tudo, mas por mais que faça é sempre nada. Os ânimos andam exaltados cá em casa, culpa de pessoas que vivem para fazer mal aos outros, culpa dos mil e um problemas diários que por aqui surgem e se antes nada me afectava e fazia-me valer da minha calma para terminar discussões, agora não o consigo fazer, não consigo porque são muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo, ando farta, mesmo farta, porque sou eu sempre que levo com discussões e acusações. Eu percebo, a sério que percebo, sei que não é por mal, mas cansa, preciso de paz, preciso de calma, preciso de fugir daqui...

Medo


O medo, por vezes, impede-nos de avançar, medo de nos magoarmos, de darmos tudo de nós e em troca receber nada, medo de voltar a viver tudo o que de mau o passado trouxe. Escondemos sentimentos, bloqueamos emoções por puro medo, medo de mostrar um lado mais frágil, mais sensível, aquele lado que poucos ou nenhuns conhecem de nós, medo de não sermos valorizados, de nos entregarmos a alguém e de um dia descobrir que não o deveríamos ter feito. Criamos barreiras, impomos limites e recuamos quando alguém as parece ultrapassar, por medo de sofrer, de voltar a experimentar desilusões, por medo de voltarmos a ficar e a sentir-nos sozinhos, abandonados, de nos sentirmos enganados, roubados, perdidos. Fazêmo-lo numa tentativa de nos protegermos porque, mesmo não parecendo, somos frágeis, fracos, quebradiços. Deixamos de querer arriscar e, mesmo quando o fazemos, uma parte de nós constantemente nos relembra de todas as vezes em que ficamos em pedaços, de todas as vezes em que tivemos que nos levantar e fingir sorrisos, de todas as mágoas, marcas e desilusões. Arriscamos sem arriscar, avançamos permanecendo no mesmo lugar, amamos sem amar, magoamos quem não deveríamos magoar e deixamos, talvez, passar a oportunidade de ser felizes.

*republicação; original de 16/11/2013 às 00h03

Saudade


São espasmos de saudade que se alastram pelo meu ser, enfatizando o silêncio deixado pela tua ausência. Oponho-me ao ímpeto de correr ao teu encontro, controlo a ânsia de te ver, de te mostrar do que sou feita... saudades.
Existo. Mente preenchida pelas recordações, coração absorto pelo desejo, alma fragmentada em possibilidades. Confrontam-me verdades inconvenientes, definho em devaneios ilusórios, regresso por caminhos tumultuosos à realidade. Sonho-te, sinto-te, momentos existem em que juro ouvir-te, ver-te em sombras camuflado. Quero voltar para os teus braços, ignorar consequências, dúvidas, o futuro.
Usa-me, faz-me tua uma última vez.

14/2

14 de Fevereiro, ou como é mais conhecido, Dia dos Namorados. Nunca dei especial atenção ao dia, até porque sempre estive solteira nesta data e, para ser sincera, nunca fez grande diferença, nunca lamentei o facto de estar solteira, porquê fazê-lo se sempre se tratou de uma escolha?
A minha relação com o amor é complexa, talvez muitos de vós não compreendam as minhas decisões, as minhas escolhas, a minha forma de pensar. Sou apaixonada pelo amor, pela sensação de amar alguém, sei que quando amo alguém me dedico de corpo e alma a essa pessoa, sei que sou exagerada, sei que entrego o meu coração depressa demais, ainda que muitas vezes nem me aperceba de que o faço, sei que tento reprimir o que sinto, sei que essa tentativa de esconder não me permite por vezes mostrar o meu lado mais carinhoso, mais sensível, aquele lado que ninguém, absolutamente ninguém, conhece. É difícil apaixonar-me, ou melhor, difícil encontrar alguém que me cative de tal forma que me permita apaixonar, no entanto, ainda que pareça contraditório, quando alguém assim aparece, instantaneamente sei e acabo por me apaixonar, por ter certezas depressa demais, o que não significa que arrisque, é preciso tanto para arriscar...
Do que preciso no amor? De alguém que me dê segurança, que me permita amá-lo da única forma que sei e essa forma é entregar-me, sentir-me à vontade para mostrar o que sinto, é sentir os problemas do outro como meus, é preocupar-me por coisas parvas, é saber que essa pessoa é minha e ainda assim todos os dias ter medo de a perder, é ter liberdade para surpreender, para conquistar, é poder imaginá-lo ao meu lado pelo resto da minha vida. Um dia ele aparece, não agora, não quero, não consigo...

Sobre o dia dos namorados, sempre passou despercebido, este ano dói um bocadinho, este ano tudo me dói, coisas da vida, logo passa... A todos os que têm alguém com quem partilhar a vida, celebrem este dia mas não se esqueçam de celebrar os restantes, o amor deve ser celebrado 365 (ou 366) dias por ano, todos os dias devem ser memoráveis.

Viagens

Entrou no autocarro e procurou o seu lugar... 7, outrora este número traria consigo incontáveis significados, panóplias de recordações, mas não hoje, hoje tratava-se apenas de um número, o número que a acompanharia a casa. Sentou-se o mais confortavelmente possível e preparou-se para as 3h30 de viagem. Esperava adormecer, descansar a mente, abafar os pensamentos, mas estes foram mais fortes, impedindo-a de descansar. Os erros do passado ocuparam-se dela, as dúvidas resistiam, as memórias ganhavam força e os "se's" davam cartas pela primeira vez em muito tempo. Nunca se tinha perguntado o que deveria ter feito diferente, sempre teve certeza de ter percorrido os caminhos correctos, os passos que delineara para si, hoje via apenas uma pequena montanha de se's, hoje saberia exactamente o que alterar, hoje sabia exactamente o tempo e o lugar a que queria voltar e (re)viver tudo desde esse momento. Talvez abdicasse de momentos, de pessoas, mas algo nela diz que esses momentos, essas pessoas apareceriam de igual forma na sua vida e, quanto ao futuro, seria tudo tão mais fácil, tão simples. Uma pequena decisão, um pequeno momento que complicou tudo... hoje, se virem uma rapariga sozinha, pensativa, quiçá triste, no lugar 7 do autocarro, dêm-lhe um abraço, acreditem, ela precisa.

Sozinha

Sozinha.
Vazia.
Decepcionada.

Sinto, talvez pela primeira vez, que nada vai dar certo, que continuo a lutar e a acreditar em coisas que não se irão concretizar. Sinto-me vazia, sem futuro, sem rumo. Do que precisamos para ser felizes? Trabalho, amor, saúde? Posso afirmar que estou preocupada com todos estes campos, os dois primeiros inexistentes, o último duvidoso. Tinha um plano, tão fácil, tão sólido, dependente de uma única coisa... agora deixei de ter e, a pouco e pouco, vejo tudo a desabar, consigo ver daqui o futuro a rir-se de mim, a ver-me aqui sozinha, despedaçada...

Hoje leram-me a sina... nada que já não soubesse... sucesso profissional, pessoal, felicidade, "vais ser muito feliz", já mo tinham dito, voltei a ouvi-lo hoje, não duvido, sei que vou ser... mesmo continuando a insistir que sou feliz, e sim sou, pergunto-me para quando toda esta felicidade que me prometem, quando vou ver a minha vida resolvida, quando?

Tua

Rasgas-me a pele e vês-me a alma. Perdes-te na minha transparência, olhas por dentro de mim e, com mãos firmes, agarras os sentimentos que emano, com a certeza de quem sabe o que quer. Lês o meu corpo, que contradiz as palavras proferidas, e provocas o desejo que a consciência teima em abafar. Sentes-me o toque, tímido, leve, quase imperceptível e retribuis na mesma intensidade, adicionando um crescendo de sensações que me fazem confiar, entregar, deixar-me levar. Controlas o momento, entregas-me a vontade, arrancas o orgulho e soltas o que de melhor há em mim, o que me faz querer-te meu, o que me faz descontrolar em ti. Paramos o tempo, partilhamos lembranças sem que o silêncio seja quebrado, excepto pela respiração acelerada e pelos batimentos cardíacos compassados e em perfeita sincronização. Sentes-me tua e eu sinto-te meu, esquecemos o mundo, unimo-nos num só e inconscientemente prometemos, num simples abraço final, que assim seremos, para sempre, apenas e somente, nossos.

*republicação; original de 04/09/2013 às 18h52

Decisões

Pergunto-me se sou forte o suficiente para não sucumbir aos meus impulsos, se vou conseguir continuar a desempenhar este papel, continuar fiel à decisão que tomei... É mais fácil estando longe, pergunto-me se serei tão forte, se conseguirei resistir, quando a distância se anular, talvez na altura me pergunte se quero realmente resistir, resistir-te.

Amanhã

Amanhã dir-te-ei as palavras que a voz quer calar,
recordar-te-ei do quanto me és, o quanto significas para mim.
Amanhã aparecerei à tua porta e roubarei parte do teu tempo,
mostrar-te-ei quem sou, o que sou.
Amanhã apaixonar-te-ás por mim.
Amanhã...

Talvez amanhã seja tarde
mas hoje
esgotaram-se as forças,
esgotou-se a vontade,
irei reaver-me amanhã.

E porque o amanhã é nosso,
Amanhã serei tua
E serás sempre meu amanhã.

Avanço, recuo

Escorregas-me por entre os dedos. Sinto-te a vir e a fugir, como numa dança infinita que apenas confunde os meus pensamentos, o meu sentir. Permaneço imóvel, esperando o teu sinal, mas até nos sinais te contradizes. Afastas-te e voltas a aproximar-te como se não o tivesses feito e eu dou-te espaço e volto a acolher-te como se nunca tivesses partido.
Como me queres? Onde me queres? Ainda me queres?

*republicação; original de 8/01/2014 às 20h44

Vidas

Queria ter mais tempo para ver.
Gosto de observar as pessoas, imaginar as suas vidas, desmistificá-las pelos gestos, pela forma de falar, pelo andar. Tenho saudades do tempo em que observar seria suficiente para conhecer realmente alguém, perdi o dom, distraí-me demasiado, deixei de ter tempo para ver.

Ontem tive tempo para percorrer ruas que me eram estranhas. Perdi-me na tentativa de captar todos os pormenores, desde os edifícios, aos jardins, às pessoas. Ficaram algumas memórias aleatórias... O pôr do sol nas margens do Mondego; o sorriso sincero da rapariga que notou que a observava do autocarro; o miúdo de 5/6 anos que tentava compreender a crise; a senhora que, de tão concentrada na leitura no metro, saiu uma paragem depois do que era suposto; a voz de anjo da rapariga que cantava na rua, em contraste com o som longuínquo do violino; o som do mar; o brilho da cidade à noite...
Houve uma rua em particular que me trouxe saudades, saudades de alguém que perdi, curiosamente, nunca estivemos juntos naquele local, ainda assim tenho certeza de que ele se lembrará de mim se passar por ali; o meu instinto foi o de tirar uma foto ao local e enviar-lhe, sem qualquer texto, sem qualquer mensagem, só a foto, controlei-me e não o fiz, não vale a pena trazer para o presente quem merece ficar no passado.

Quanto mais observo, mais tenho certeza de que os sorrisos mais sinceros provêm de pessoas com vidas complicadas, realmente complicadas, de pessoas que mostram uma força incrível, de pessoas que aproveitam cada segundo, que apreciam realmente a vida e os pequenos pormenores, as pequeninas coisas que ela tem a oferecer.

Sorte?

Desde pequena que ouço: "sorte ao jogo, azar ao amor".
Tenho a dizer que ganhei 20€ numa raspadinha...