Adeus

Contemplei, ao longe, a tua chegada. Calmo, decidido, caminhaste na sua direcção, ela, que te esperava, em meio às escassas gotas de chuva que prediziam a chegada de uma leve precipitação, mas nem a chuva nem o frio a demoviam desta espera por ti, esperaria ela horas, dias, apenas para encontrar o teu olhar, os teus braços, o teu calor. Nada disso lhe darias, não desta vez. Paraste antes de a alcançar, impedindo-a de se unir a ti e sentires a sua cabeça no teu ombro. Com um simples olhar ela soube, palavras não seriam necessárias, ainda assim optaste por proferi-las. Não as ouvi mas senti os espinhos que lhe cravaste, as lágrimas que ela não foi capaz de conter. Afastaste-te pelo mesmo caminho que te trouxe, nada foi capaz de te desalinhar os passos. Voltaste-te no momento em que ela desabou, vi a dor na tua face, a não extinção dos sentimentos que por ela nutrias, mas isso não te dissuadiu, retomaste o teu caminho e ela manteve-se sozinha, habituando-se ao sentimento que a acompanharia a partir daquele momento.

Ela nunca soube a razão, o porquê daquele “adeus” e todos os dias um pedaço dela morre por não saber, mas ela é forte, encontrará o caminho da sua felicidade e um dia reencontrar-te-á e não mais terá remorsos, não mais sentirá dor e, de ti, apenas lembranças dos bons momentos que com ela partilhaste e aquele “adeus” dissolver-se-á, dando lugar a novas memórias, novas lembranças que agora começa a construir.

*republicação; original de 22/11/2013 às 20h39

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