Perdida

Percorro os caminhos que comigo trilhaste, refaço os passos, avanço, recuo. O passado serve-me de guia, numa tentativa inútil de descortinar o futuro, o destino.
Em que rua nos perdemos? Em que caminho te deixei? Onde me abandonaste?
Quis perder-me contigo, em ti, acabei perdida de ti e de mim.
Serás ainda parte de mim quando, finalmente, conseguir refazer o que estilhaçaste?

Imóvel

Quero gritar mas reprimo as palavras, contenho os gestos. Vejo-te partir e subsisto calada, imóvel, ausente.
Ainda te sinto em mim, sinto o teu toque, o teu perfume. Ainda me completas, ainda me faltas.
Saberás que te quero? A cada hora, minuto, segundo. Saberás que estou aqui? Que te espero sem esperar nada de ti? Saberás da minha dificuldade em te deixar, em te expulsar de mim? Saberás que permaneço imóvel, como me deixaste, esperando o teu regresso?

*republicação; original de 09/01/2014 às 22h15

Pele

Percorres com destreza a minha pele, sinto-te em cada toque, leve, suave, destemido. A tua respiração, a cada segundo mais audível. Sinto-te em vontade, em desejo. Fujo-te e não desistes, acalmas-me, recomeças, conquistas-me uma e outra vez, sem pressa. Sentes cada traço meu e guias-me por cada pedaço teu. Num momento de pausa ouço o teu coração, forte, sincero e sei, ainda que não o digas, o quanto queres, o quanto me queres. Conseguiste ouvir o meu coração e o teu? Ouviste-o?

*republicação; original de 11/01/2014 às 22h44

Sinais

O Universo ou Deus ou o que entendam, tem uma forma bastante peculiar de nos mostrar o caminho que devemos seguir, as atitudes que devemos tomar, de nos dizer se devemos desistir de algo ou insistir.
Começou sob a forma de sinais, pequenos sinais que, tenho certeza, na sua maioria me passaram despercebidos. Um único sinal nunca é suficiente, julguei ser apenas coincidência, ou apenas porque eu queria que fosse de determinada forma, então tudo funcionava como um sinal e, se algo me indicasse o contrário talvez ignorasse.
Não sei se acreditam nas pessoas que dizem conseguir prever o futuro, seja através de cartas, leitura das mãos, ou até simplesmente em quem diz que o vê, mas recentemente alguém me contou, sem saber de antemão, a minha história e aconselhou-me a não desistir de algo que, de tão complicado, até eu penso por vezes que é impossível. Sim, era a resposta que eu queria, talvez por isso tenha levado mais a sério e sim, eu acredito em todas estas coisas, só não acredito quando é comigo, o futuro dos outros parece sempre tão óbvio e o meu sempre tão improvável, apesar de ele se desenrolar sempre como eu quero, apesar de obter sempre o que peço (não é tão bom quanto parece, as coisas não são dadas, tenho que lutar por elas como qualquer pessoa, se quero algo específico tenho que planear todos os meus passos para o obter; o pior lado é que as coisas más acontecem com muito mais facilidade, não as peço claro mas basta o meu pensamento prender-se nelas de determinada forma para o universo entender que as quero).
Voltando à história (ainda que não pareça uma história), o meu pensamento fugiu para algo, algo específico, o início de um "plano", inconscientemente fiz o pedido, 20 ou 30 minutos depois aconteceu, mais um sinal para avançar.
Depois de tudo isto, por vezes demais me pergunto "valerá mesmo a pena?", a única certeza que tenho é que quero saber a resposta.

Adeus

Contemplei, ao longe, a tua chegada. Calmo, decidido, caminhaste na sua direcção, ela, que te esperava, em meio às escassas gotas de chuva que prediziam a chegada de uma leve precipitação, mas nem a chuva nem o frio a demoviam desta espera por ti, esperaria ela horas, dias, apenas para encontrar o teu olhar, os teus braços, o teu calor. Nada disso lhe darias, não desta vez. Paraste antes de a alcançar, impedindo-a de se unir a ti e sentires a sua cabeça no teu ombro. Com um simples olhar ela soube, palavras não seriam necessárias, ainda assim optaste por proferi-las. Não as ouvi mas senti os espinhos que lhe cravaste, as lágrimas que ela não foi capaz de conter. Afastaste-te pelo mesmo caminho que te trouxe, nada foi capaz de te desalinhar os passos. Voltaste-te no momento em que ela desabou, vi a dor na tua face, a não extinção dos sentimentos que por ela nutrias, mas isso não te dissuadiu, retomaste o teu caminho e ela manteve-se sozinha, habituando-se ao sentimento que a acompanharia a partir daquele momento.

Ela nunca soube a razão, o porquê daquele “adeus” e todos os dias um pedaço dela morre por não saber, mas ela é forte, encontrará o caminho da sua felicidade e um dia reencontrar-te-á e não mais terá remorsos, não mais sentirá dor e, de ti, apenas lembranças dos bons momentos que com ela partilhaste e aquele “adeus” dissolver-se-á, dando lugar a novas memórias, novas lembranças que agora começa a construir.

*republicação; original de 22/11/2013 às 20h39

Horas

Os ponteiros já gastos do pequeno relógio de madeira, oculto pelos sorrisos forçados das mais recentes fotografias, percorriam o derradeiro caminho, temporalmente sincronizados com o ritmo da vida. Enchia o vazio da sala o, aparentemente desconcertado, tic-tac que abrilhantava a inexorável passagem do tempo. O silêncio não havia sido quebrado, o relógio da vida prosseguia, sem nunca abrandar o compasso, lentamente caminhando para o indeclinável final.
Quem dera a vida fosse um sonho em que é possível congelar os verdadeiros sorrisos, a verdadeira felicidade; quem dera a vida fosse um sonho em que é possível interromper a celeridade do tempo e prolongar, um pouco mais, os bons momentos, aquele momento, mas o tempo não espera e as despedidas não podem ser adiadas.
Olhei-o sabendo que era o fim e, ainda que contra o meu desejo, despedi-me, apesar de, no meu íntimo, conservar a esperança de o voltar a reencontrar.

*republicação; original de 15/01/2014 às 18h24

Tempo

Crescemos com a crença de que o tempo é inesgotável, vivemos na falácia de "ter tempo". Não faço agora porque tenho tempo, amanhã ou depois, "tenho tempo". Todos os dias vivemos erroneamente, julgando que "temos tempo". Quem nos garante o tempo? E se eu disser que amanhã deixarás de ter tempo? O que farias hoje se te dissesse que daqui a um mês estarás morto? Tenho certeza de que terias muitas pessoas para contactar, muitas palavras para dizer, muitos sítios para ir... Porque não as dizes hoje? Porque não vais? Quem te garante que tens tempo?

*republicação; original de 16/01/2014 às 19:34

Sentidos que me guiam

Movo-me em espaços finitos, por lugares desertos de gente. Percorro consciente o meu caminho, ainda que absorta pela inconsciência da sua longitude, da sua dimensão. Desconheço as curvas do destino, meço cautelosamente os meus passos.
Páro. Escuto, olho, tacteio, absorvo a fragrância e provo o sabor da vida. E sinto, o coração grita, personificando os sentidos em sentimentos que me guiam por este labirinto de encruzilhadas, por este mar de decisões. Tudo se apaga à minha passagem, impedindo-me de recuar, de voltar e alterar a direcção escolhida, o sentido outrora ambicionado. Aprendo a cada passo, descubro o sentido da vida, o porquê de cada caminho, de cada ocorrência, momento, circunstância... Há quem lhe chame “acasos”, eu chamo-lhe destino.

A vida é feita de encontros e desencontros. Destinos que constantemente se cruzam e separam. Vidas que se entrelaçam e se desfazem. Redemoinhos de histórias que se constroem, se relembram e se contam.

Fragilidade

Não sei quem ou o que sou, como cheguei aqui, o que me motiva, o que me move.
Da minha história, páginas em branco, memórias de um sonho que não me recordo de ter vivido.
Em tudo o que posso ser, sou frágil, sinto em demasia e vagueio perdida neste mundo de loucos por também louca ser.
Não sei quem ou o que sou, não sei como cheguei, mas estou aqui.

*republicação; original de 07/01/2014 às 01h06

Mudança

A minha (mais recente) entrada neste mundo iniciou-se em Julho de 2013 aqui muito mudou na minha vida desde essa altura, houve mudanças boas e mudanças más, mudanças a todos os níveis, posso dizer que pouco ou nada se manteve.
Por mil e uma razões e por razão nenhuma, deixei de me sentir à vontade a escrever no blog, penso que pelas recordações que me trazia de todas as mudanças, de todas as voltas que a minha vida deu em tão pouco tempo. Quis então experimentar algo novo, uma nova forma de escrita, aproveitar o que me ia na alma e olhar a vida de outra perspectiva, olhar a escrita de forma diferente. Criei um novo perfil, um novo blog e pretendia, a pouco e pouco, ir reconquistando os meus seguidores antigos, contudo, 11 dias, 11 posts, 49 comentários, 677 visualizações, e 9 seguidores depois percebi que eu sou a "Mar" e não consigo mudar o nome ao blog. É o nome "Destinos Cruzados" que me diz muito e é assim que me sinto em casa.

Este Blog agora está em branco, é como um recomeço, mas alguns posts antigos serão republicados, tanto de um blog como de outro, surgirão intercalados com novos textos.

Sobre o blog "Fragilidade de ser", posso dizer que me surpreendeu pelo que alcançou em tão pouco tempo e pelo feedback que recebi, ajudou-me a voltar a reconhecer a minha escrita, em determinado momento senti que ela se tinha perdido pelo caminho e, por isso, obrigada a todos os que passaram por lá. Sobre o antigo blog "Destinos Cruzados", guardo lá muitas vivências camufladas nas entrelinhas dos meus textos, a todos os que me acompanharam lá durante estes meses, obrigada.

Aos seguidores antigos, espero que continuem comigo neste novo/velho blog, a quem entrar aqui pela primeira vez, sejam bem-vindos e sintam-se à vontade para ficar :)

Um final em frases soltas

Sabes? Tiras-me as palavras da alma e instalas-me o silêncio no corpo, sobra a voz sufocada que não consegue libertar-se.

Estas são apenas algumas das coisas que aprendi em 2013:
1 - Não há duas histórias iguais, não procures outra igual a uma que já tiveste, ainda que penses que sentes, não sentes, estás apenas a tentar reencontrar a pessoa que perdeste.
2 - Cada pessoa é única, não a procures noutra pessoa.
3 - Não procures a perfeição, ela não existe, eventualmente terás que te adaptar. Também não és perfeita/perfeito.
4 - Não te precipites em palavras, em sentimentos, não te iludas, não a/o iludas.
5 - Não desistas antes de tentar, de realmente tentar.
6 - Não te afastes de quem te faz bem.
7 - Talvez as atitudes dela/dele sejam despertadas pelas tuas.
8 - Não digas que não se passa nada se não é verdade, não te feches.
9 - Não julgues que realmente conheces alguém, há sempre algo para conhecer.
10 - Se errares pede desculpa.
11 - Não lhe mintas.
12 - Diz o que sentes, diz-lhe o que sentes.
13 - Se ela/ele não sai do teu pensamento, sabes o que significa?
14 - Não penses demais, não penses de menos.
15 - As pessoas só dão valor a algo quando o perdem.
16 - Não serás feliz para sempre sem esforço.

(Dóis-me sabias?)
(Devias ignorar o que vês e seguir o que sentes, não, não falo de mim, falo de tudo. Magoas-te a ti e aos outros, sabes que os outros não são marionetas, tu também não o és, não és um objecto que serve para outros atingirem objectivos.)
(Sim, és mesmo boa pessoa, uma das melhores que já conheci, não terias voltado atrás se não o fosses).
(Sabes? Nunca percebes bem o que quero dizer, talvez um dia percebas e me dês razão. Não, não acho que te conheça, olha ali, ponto 9 ;) )
(Pergunto-me se tive algum impacto na tua vida...)
(Sim, sou parva, podia pegar no telemóvel e dizer-te isto tudo, mas para quê? Tu sabes... Não te quero cansar mais com banalidades, aprendi a lição, aprendi mesmo... Pra mim faz sentido terminar esta fase do blog a falar de ti, para ti, ele lembra-me de como tudo começou).
(Não, não é uma despedida, vais continuar a "levar comigo", não admito que saias da minha vida. Estou a aprender sabes, a adaptar-me a ti, não és fácil, não tens sido nada fácil, mas desafias-me, gosto disso. És mesmo fascinante (esta frase é muito minha mas acho que nunca perceberás exactamente porquê)).
(E se te disser que vou mudar o caminho, o meu caminho?).
(Desculpa os bloqueios, não é fácil estar à vontade em situações que não domino, não é fácil mostrar-me em contextos que me são estranhos.)
(Aprendi e cresci muito contigo. Sabes o que me apetecia? Recomeçar, como amigos, sem "aquela" pressão. Não, não te vou pedir isso, estaria a ser muito egoísta, não te quero mais impedir de encontrares alguém que realmente te faça feliz (não te precipites, não te dês só por dar, mas arrisca, com calma, arrisca e serás feliz). Não peço para recomeçar, mas peço e vou pedir sempre a parte do "amigos", vou sempre cobrar a promessa).

Não sei se sou capaz de continuar a escrever aqui. Obrigada a todos os que gastaram um bocadinho do seu tempo a ler o que escrevo. Por agora vou fazer uma pausa, vou continuar a ler-vos, um dia voltarei.

*republicação

Pelos vistos quando alguma coisa começa a correr mal, o resto começa também a desabar. Disseram-me o ano passado que devia pensar mais em mim, se calhar está na altura de o fazer. Apetece-me fugir e não voltar, talvez não volte.

*republicação

Estive a rever textos antigos e lembrei-me de um blog que tive em 2010. Apesar de o blog já não existir, alguns comentários meus, da altura, continuam espalhados pelos blogs com os quais interagia na altura. E em 2010 eu pensava assim:

"Porque não partir do princípio de que tudo é possível e lutar para que isso seja realidade? O fracasso é certo, a vitória é um bónus :)
Talvez nem tudo se desenrole como imaginamos mas, no nosso caminho podem sempre surgir outras oportunidades..."

"Os sentimentos são mesmo confusos... eu costumo dizer que "rimos para não chorar"... às vezes quando estamos tristes e com outras pessoas sentimos uma certa necessidade de esconder a nossa tristeza e por isso rimos sem parar mas quando estamos a sós ou num lugar mais reconfortante como a nossa casa só nos apetece libertar tudo o que temos cá dentro e que nos tem estado a consumir..."

""depois da tempestade vem a bonança" e os teus dias de glória hão-de chegar..."

"de tantas vivências, de tantos pormenores importantes que nos adoçam a vida e que, na maioria das vezes, nos passam despercebidos..."

"a vida é realmente simples, nós é que complicamos... "nada acontece por acaso""


Ainda me consigo encontrar em cada palavra, tanto mudou e eu, no fundo, continuo igual, é bom saber isso.

*republicação

Que venha 2014

O nosso tempo está contado e dizem que o destino prescrito. Também desisti de o questionar, parece que por mais voltas que dê, por mais impossível que pareça, o que está destinado acontece e ainda há tanto para acontecer…

2013 foi um péssimo ano, sim foi, terminei uma importante etapa da minha vida mas ninguém sabe o quanto desejei desistir, o quando quis chorar, eu que é raro chorar, terminei mas não valeu a pena pelo tempo que tomou, pelas mudanças que me despertou, por não ter ainda conseguido voltar a ser a pessoa que era… valeram-me algumas pessoas, ainda que não o saibam, pela companhia que me fizeram, por me incentivarem a continuar, por me terem feito pensar noutros temas. Foi um ano de mudanças, novas pessoas entraram na minha vida, pessoas saíram dela, algumas pessoas entraram e saíram, velhas pessoas retornaram.
Tive tantas oportunidades e estraguei tudo tantas vezes… (lembrei-me de um sonho que tive, acho que finalmente o compreendi).

Tinha tanto para pedir, tanto para desejar, mas pedi uma única coisa para 2014, o desejo do ano anterior realizou-se, espero que desta vez não seja diferente, até porque, pela primeira vez, não pedi nada para mim, mas para alguém que me é especial.
Para 2014 quero um novo começo, porém sem nunca apagar o passado.
Sei apenas que em 2014 serei feliz, nem que, para isso, tenha que virar o mundo ao contrário.

*republicação