Passado

Engraçado como algumas pessoas ainda são capazes de mexer connosco, mesmo que não o queiramos.

O telefone tocou e tremi. Não esperava, não quis atender, não o quis enfrentar. Parou... tocou novamente, voltou a parar, voltou a tocar... Acabei por ceder, precisava de saber o porquê.

Mal ou bem, ouvir aquela voz e as palavras só me fez ter mais certezas do que tudo aconteceu como devia, ou, neste caso, não aconteceu. Sei que me teria arrependido, principalmente agora... mas eu sabia que não era para ser, por isso não deixei que fosse, estas coisas sentem-se e eu sempre soube exactamente o que sentir.

Mas deixou marcas...

Tenho dificuldade em confiar, dificuldade em me entregar... luto contra isso mas é demasiado recente... magoou-me e neste momento só me apetece chorar, mas não o faço, não o vou fazer. Apetece-me chorar porque estou magoada, porque estou preocupada e porque tenho medo, tenho medo que ele se perca. Conheço-o, sei que não está bem, também sei que nunca me dirá o motivo. Quero chorar porque sei que ele não me deixa ajudá-lo e porque sei que não deixará ninguém ajudá-lo, mas mantenho o sorriso, tento abstrair-me, tento fingir que é tudo da minha cabeça. Sei que não é...

Ele sabe que, de certa forma, me perdeu e que a culpa é dele, hoje percebeu que nunca me terá... Engraçado como as pessoas só dão mesmo valor às coisas quando as perdem... Normalmente ficaria feliz, por ele ter percebido, por ter que lidar com a culpa e por finalmente compreender o quanto me magoou, por sentir na pele o quanto me magoou. Não consigo ser assim com ele, é demasiado importante, sempre será.

Neste momento estou apenas preocupada, preocupada com ele, com o que pode fazer... Talvez seja eu a sentir-me culpada no final, por não estar lá, por não conseguir ser a amiga que ele precisa... Não posso fazer mais nada... resta-me esperar e acreditar que tudo ficará bem.

*republicação

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